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O futuro do turismo esportivo, por que competir não é mais só sobre performance

  • Foto do escritor: Gabi
    Gabi
  • 15 de jan.
  • 4 min de leitura
o futuro do turismo esportivo, atleta de triathlon viajando para competir em prova esportiva

Viajar para competir sempre fez parte da vida de quem escolhe o esporte como estilo de vida. Mas quem já viveu isso na prática. seja em uma maratona, em uma prova de triathlon, retiro de yoga, campeonato de beach tennis ou em qualquer evento esportivo fora da sua cidade, sabe que a experiência vai muito além da largada e da linha de chegada.


Eu já viajei muitas vezes para competir. Sozinha, em grupo, no Brasil e fora dele. Já vivi viagens leves, organizadas, que ajudaram na performance. E já vivi viagens caóticas, em que o cansaço da logística pesou mais do que o próprio treino. E é justamente aí que algo começou a ficar muito claro para mim: a forma como viajamos para competir mudou e continua mudando.


Hoje, competir não é mais só sobre tempo, ranking ou resultado. É sobre como esse caminho é vivido.


O que mudou na forma como atletas se relacionam com o esporte


Nos últimos anos, o esporte deixou de ocupar apenas o lugar da performance e passou a assumir um papel muito mais amplo na vida das pessoas. Ele virou espaço de pertencimento, de saúde mental, de conexão social e de identidade.


Essa mudança não é apenas percepção pessoal. Ela aparece de forma estruturada no relatório “Sports & Collective Wellness – Trends and Insights for Innovation on the Sports Market 2025”, desenvolvido pela Rahal/Sachs em parceria com a DEZON. O estudo mostra que, globalmente, o esporte vem sendo cada vez menos encarado como um fim em si mesmo e mais como um meio de viver melhor, se conectar e pertencer.


O foco sai do “performar a qualquer custo” e migra para o “viver o processo”.

E isso impacta diretamente a forma como atletas viajam para competir.

Quando a viagem vira parte da performance.


Quem treina sabe: performance não se constrói só no treino. Ela depende de descanso, alimentação, foco mental e, principalmente, de reduzir o que chamamos de stress invisível.

Em viagens esportivas, esse stress costuma aparecer em detalhes:


  • voos mal planejados

  • hospedagem longe da prova

  • transporte de bike ou equipamentos (windsurf, surf, kitesurf, golfe)

  • alimentação inadequada

  • falta de tempo para descanso

  • insegurança em cidades desconhecidas (pensa no errejota)


Tudo isso consome energia. E energia, no esporte, é preciosa.

Quando a viagem é bem organizada, quando o atleta sabe que tudo está sob controle, algo muda. O corpo responde melhor. A mente fica mais tranquila. A experiência se torna mais leve. A viagem deixa de ser um obstáculo e passa a fazer parte da performance.


Essa é uma das grandes viradas do turismo esportivo contemporâneo.


Pertencimento, grupo e bem-estar: a nova motivação do atleta viajante


Outro ponto forte destacado pelo relatório e que eu vejo claramente na prática, é o crescimento das experiências esportivas em grupo. Não apenas por conveniência, mas por necessidade emocional.

Viajar em grupo para competir cria algo que vai além da prova:


  • troca de experiências

  • apoio emocional

  • sensação de segurança (especialmente para mulheres)

  • pertencimento


Muitas pessoas não estão mais buscando apenas “ir para uma prova”. Elas querem compartilhar essa experiência. Querem sentir que fazem parte de algo maior. Querem viver o esporte com mais humanidade.

Isso explica o crescimento de clubes, grupos de corrida, viagens esportivas coletivas e experiências que misturam esporte, cidade, bem-estar e convivência.


Um olhar técnico: o que os dados mostram sobre o turismo esportivo


Do ponto de vista técnico, o relatório reforça essa percepção com dados importantes:

  • O mercado esportivo segue crescendo, mas ainda fala majoritariamente com quem já está engajado.

  • Mais de 30% da população mundial é considerada fisicamente inativa, o que mostra um enorme potencial de ativação.

  • Eventos esportivos e experiências de saúde e bem-estar tiveram crescimento expressivo de participação nos últimos anos.

  • O esporte vem sendo reconhecido como uma tecnologia social, capaz de combater isolamento, melhorar a saúde mental e criar laços reais.


Ou seja: a experiência importa tanto quanto o evento.O que isso muda no turismo esportivo

Para quem trabalha com turismo esportivo e para quem viaja para competir, essa mudança é profunda.

Não se trata mais de vender passagem, hotel e inscrição. Trata-se de entender o atleta como um ser humano completo, com rotina, emoções, expectativas e limites. Trata-se de criar viagens que respeitem o corpo, a mente e o momento de vida de cada pessoa.


Na Soul Sports Travel, essa visão não veio de um relatório. Ela veio da vivência. O relatório apenas confirmou algo que já sentíamos na prática: o futuro das viagens esportivas está na experiência, no cuidado e no pertencimento.


Mais do que competir, viver o esporte


A prova dura algumas horas. A viagem começa muito antes e termina muito depois. O que fica não é apenas o resultado, mas as memórias, as conexões e a forma como aquela experiência foi vivida.

E talvez esse seja o maior aprendizado do momento que o esporte vive hoje: competir continua sendo importante, mas viver bem esse momento é essencial.


Nos próximos textos, vamos aprofundar esse tema, falando sobre viagens em grupo, mulheres no esporte, segurança, bem-estar e como o turismo esportivo pode e deve evoluir junto com os atletas.

 
 
 

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